CHARLIE HEBDO E OS LIMITES DA LIBERDADE

QUADRINHO & MONSTRINHO - Civilização 1 cópia

No mundo civilizado a liberdade não pode ser um direito que não conheça limites. Um velho ditado afirma que a liberdade de alguém termina quando começa a liberdade do outro. Esse velho paradigma, creio, não perdeu sua atualidade.
Num mundo em que todos possam levar seu direito à liberdade a extremos com certeza será um mundo profundamente infeliz e negador do valor da vida humana e sua dignidade. Se assim fosse traficantes, nazistas, pedófilos e criminosos de todos os tipos advogariam o direito a sua “liberdade de expressão”. Por isso as leis, construídas através dos séculos, cavaram o leito para o trânsito da vida civilizada.
Somos favoráveis à imprensa livre, a livre manifestação das ideias, na arte, no jornalismo, na literatura – porém podemos nos opor a ideias e conceitos que agridam nossa consciência e os valores que cultivamos – porém de maneira pacífica, jurídica ou conciliatória.
Um exemplo atual oposição ao direito da manifestação da opinião ocorreu na França, com o atentado terrorista que vitimou 12 integrantes do jornal Charlie Hebdo – um pasquim de tendência anarquista e possivelmente filosoficamente ateu. Seus desenhos e charges agrediam sem misericórdia os ícones da religião, seja cristã, mosaica ou muçulmana – o clero e a fé em Deus. Não poupava celebridades mundiais da política. Não era um jornal de grande tiragem – cerca de 60 mil exemplares, periodicamente. Seus integrantes, com muita coragem, se colocavam como quixotes da liberdade de imprensa – porém passaram a sofrer ameaças por parte do clero e de militantes da Jihad islâmica – que culminou com o brutal assassinato a sangue frio de seus principais jornalistas – repudiado por milhões de vozes sob o slogan: Je suis Charlie Hebdo . Entre eles, cerca de 40 estadistas marcharam sob esse mote no centro de País, neste domingo, 11.01.2015
Creio que os radicais sálmicos, especialmente o clero mentor da guerra santa, estão se sentindo vitoriosos porque milhões, publicamente, confessaram diante do mundo ser Charlie Hebdo – esse time de cartunistas em seu oficio obstinado de colocar com toda malícia a fragilidade humana de personagens de carne e osso – brandindo suas armas de grafite, em tiroteio contra o papel, ridicularizando a fé dos que creem. Cristãos e muçulmanos viram seus lideres como alvo dessa transgressão impiedosa. Políticos de potências bélicas foram expostos em piadas nas manchetes coloridas do pequeno jornal.
O ocidente levantou-se em peso para repudiar o atentado terrorista por dois jovens irmãos, nascidos na França e catequisados por uma das filiais da Al Qaeda – a mesma organização responsável pela morte de mais de duas mil pessoas no atentado de 11.09.2001.
O resultado disso, além da equivocada identificação de milhões com o jornal irreverente, coloca o mundo sob a vigilância ainda maior do Estado, ameaçando ainda mais o direito à privacidade e direito ao sigilo da correspondência. O mundo não é mais o mesmo depois da queda das torres do WTC. Em nome da segurança nacional haverá mais restrições ao direito de ir e vir.
Defendemos o direito a livre expressão do pensamento – porém o fato é que a liberdade saiu alvejada e encolhida desse conflito de cosmovisões tão radicalmente opostas. Infelizmente!
Nem sempre os novos súditos das antigas monarquias se adaptam ou são aceitos em sua situação de imigrantes, nesses países. Os talentosos chargistas tiveram mais ousadia que prudência ao ridicularizar a fé alheia. Os cristãos perdoam, mas no Islã radical ainda vigora a lei do “olho por olho, dente por dente”. “O profeta foi vingado” – exclamou um dos jovens terroristas, logo após saírem da redação do jornal. Jesus, porém, continua sendo perseguido, tanto pelo proselitismo ateu como pelos terroristas, que tão bem cumprem o papel de perverter ainda mais a imagem de países de maioria muçulmana. Vários países da Europa sofrem do ressentimento pelas mazelas e perversidades do colonialismo na África. Tão grande foi a revolução do pensamento e da prática religiosa por Jesus Cristo que a história do mundo passou a ser contada como A.C. e D.C. – antes de depois de Cristo. O próprio conceito de democracia e liberdade tem sólidos fundamentos nos ensinos do Novo Testamento.
Nessa guerra de minorias a maioria sempre sai perdendo, seja de que lado for. Por isso continuo sendo a favor da Democracia, da liberdade de expressão do pensamento. Lamento a morte de integrantes do jornal, porém “Je ne suis pas Charlie Hebdo”. NAZI 2

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