PEDRO, SUA SOGRA E O PAPA

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Há grande expectativa, na mídia e na população, com respeito ao novo Papa, o líder da Igreja Católica Romana.  A palavra católico quer dizer universal. Jesus, ao falar da universidade da fé afirmou: “Edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” – ele referia-se justamente ao fato de que seus discípulos atuariam – sob o poder do Espírito Santo – em todo mundo, levando gente de todas as tribos, línguas e nações ao conhecimento do Seu Evangelho.  A catolicidade dos cristãos, nesse sentido, transpõe os umbrais das denominações porque a Igreja fiel e atuante, na realidade, diz respeito aos verdadeiros discípulos de Cristo. Há necessidade de discernimento entre religiosos, nominais ou hierárquicos, do cristão real, que se distingue pela prática dos preceitos de N.S.Jesus Cristo. É dever de cada cristão examinar a si mesmo – e só Deus é juiz e conhece os seus escolhidos.

Falando a um grupo de religiosos, saduceus, Jesus exortou-os, dizendo: “Errais por não conhecer as Escrituras e o poder de Deus”. O conhecimento das Escrituras demanda interesse, estudo, aprendizado; o poder de Deus é dádiva que opera na vida de seus discípulos. Por isso Jesus afirmou em Atos 1.8: “E recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como na Judéia, Samaria e até os confins do mundo”. Há, pois, autênticos discípulos de Cristo de várias tradições percorrendo o mundo e gastando suas vidas no testemunho da palavra de Cristo, que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai, senão por mim”. Jesus é, pois, a porta estreita, a única via de acesso a Deus.

Há muitas controvérsias sobre a afirmativa de que Pedro foi bispo de Roma e, mesmo, o primeiro líder da Igreja.  Há historiadores que argumentam que Pedro nunca foi a Roma, esta tese foi defendida por Ferdinand Christian Baur da Escola Tübingen. Outros, como Heinrich Dressel, em1872, declararam que Pedro teria sido enterrado em Alexandria, no Egito. Argumenta A que a noção de que Pedro fundou a igreja de Roma não pode ser rastreada antes do século III.

No entanto, Clemente de Roma escreveu em uma carta aos Coríntios, em 96 D.C. sobre a perseguição dos cristãos em Roma, relatando aos coríntios que os apóstolos Pedro e Paulo foram martirizados na capital imperial. Inácio de Antioquia escreveu, logo após Clemente, da cidade de Esmirna e em sua carta para os romanos, relata que eles deviam chefiá-la como Pedro e Paulo fizeram. Entre os anos 166 e 176, o bispo de Corinto, Dionísio, relatou que Paulo e Pedro pregaram o Evangelho em Roma.

Alguns historiadores afirmam que os papas não possuíam direitos ou privilégios primaciais no cristianismo primitivo sobre a Igreja Universal, ((Catholic Encyclopedia; New Advent.) no entanto, uma vez que em muitas ocasiões os Bispos de Roma intervieram em comunidades locais, como Clemente I,( Chadwick, Henry, Oxford History of Christianity.) ou tentaram estabelecer uma doutrina vinculativa a Igreja Universal. A visão predominante entre os historiadores, é que a Sé e o Bispo de Roma possuíam nesse período uma proeminência em questões relacionadas aos assuntos da Igreja Católica, mas esse papel se desenvolveu e se acentuou profundamente nos séculos seguintes, especialmente a partir do Século V e após o XI (Macbrien, Richard — Os Papas. Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II ) .

Um fato intrigante é que, se Pedro foi realmente o primeiro Papa, porque papas e concílios, mais de mil anos depois dele, instituíram o celibato obrigatório para os clérigos? Afinal, o Novo Testamento é claro ao afirmar que “Jesus curou a sogra de Pedro” (Mateus 8.14; Marcos 1.20; Lucas 4.38)

A maioria dos católicos ignora que aos sacerdotes e bispos não era proibido o matrimônio durante os primeiros dez séculos da vida cristã: “Além de São Pedro, outros seis papas viveram em matrimônio. Até o Concilio de Elvira, que o proibiu no ano 306, um sacerdote podia inclusive dormir com sua esposa na noite anterior a celebrar a missa. Isso começou a mudar dezenove anos mais tarde, quando o Concilio de Nicéia estabeleceu que, uma vez ordenados, os sacerdotes não podiam mais casar-se(Tomás Eloy Martinez, no jornal La Nacion).

Foi apenas em 1073 que Gregório VII instituiu o celibato. Definiu-se que o matrimônio dos sacerdotes era herético, porque os distraía do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo. Muitos historiadores supõem que a decisão de impor o celibato foi um meio para evitar que os bens dos bispos e sacerdotes casados fossem herdados por seus filhos e viúvas, em vez de beneficiar à Igreja. Em 1123 o Concilio de Latrão decretou a invalidade do matrimônio dos clérigos e, dezesseis anos mais tarde, o segundo Concilio, realizado na mesma localidade, confirmou a obrigatoriedade.

A Igreja Oriental, adjunta a Roma, admite sacerdotes casados, mas deve haver contraído matrimônio antes da ordenação e nunca chegarão a bispos.

O bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”, embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu:. Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado. Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos  separados e se a posição do Bispo  de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à primeira sisma  da Igreja, em1054,  que separou a Igreja entre a Igreja Católica, no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia Rússia e vários povos slavos, Síria e Egito)_Esta divisão ficou conhecida como a Grande Cisma do Oriente

No início do século XVI, o professor e monge, pároco da Catedral de Wittemberg, na Alemanha, Martinho Lutero, abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em1516 e 1517. Em 31 de Outubro de 1517 foram pregadas as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg com um convite aberto ao debate sobre elas. Ele protestou contra diversos pontos em que Roma se afastaram dos ensinos Bíblicos. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como “os cinco solas”:

Além de abolir o celibato obrigatório os protestantes sintetizam sua fé doutrinária nos cinco solas – credos teológicos básicos dos reformadores, pilares essenciais da vida e prática cristã. Todos os cinco implicitamente rejeitam ou se contrapõe aos ensinamentos da então dominante Igreja Romana, a qual tinha na mente dos reformadores usurpado atributos divinos ou qualidades para a Igreja e sua hierarquia, especialmente seu superior, o Papa.

São eles:

SOLA FIDE (somente a fé);

SOLA SCRIPTURA (somente a Escritura);

SOLUS CHRISTUS (somente Cristo);

SOLA GRATIA (somente a graça);

SOLI DEO GLORIA (glória somente a Deus).

Conforme a Revista Ultimato, a “quantidade de padres casados no Brasil é uma das maiores do mundo. O número de egressos (5 mil) é quase igual à terça parte dos padres no exercício do ministério (16 mil). De acordo com Áureo Kaniski, na capital do Espírito Santo vivem 119 padres – 73 na ativa (61,3%) e 46 casados (38,7%). De uma turma de 29 formandos de 1958 do Seminário Maior São José, de Mariana, Minas Gerais, sete já morreram (24,1%), oito se casaram (27,6%) e 14 continuam no sacerdócio (48,3%). Os padres casados gostam de lembrar que 39 papas foram casados, inclusive (segundo a tradição católica) o primeiro deles, o apóstolo Pedro, cuja sogra Jesus curou (Mt 8.14-15) (Ultimato: http://www.ultimato.com.br)

Cerca de oito mil padres da Igreja Católica Romana já optaram por constituir família somente no Brasil, atualmente, conforme a organização do Movimento das Famílias dos Padres Casados. A atuação desses padres varia de diocese para diocese. “Algumas dioceses são mais abertas e outras mais fechadas”, comenta Gerard Frencken, casado há 13 anos com a cearense Claudete da Silva Morais (Jornal O Povo, de Fortaleza, 29.06. 2012).

 

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