Cientistas rejeitam mutilações interesseiras no Código Florestal Brasileiro

A ganância do agronegócio, com sua sede desmesurada de lucro, aponta suas moto-serras sobre novas áreas de preservação permanente da Amazônia. Há um acordo de bastidores entre políticos de esquerda e latifundiários – que fazem sua riqueza através de gigantescos grilos de terra [roubo cartorário e fraudulento de terras públicas]. Além de novas glebas querem perdão para os desmatamentos ilegais realizados até 2008. Se essa mutilação do Código Florestal for viabilizada pela complacência do Congresso Nacional o Brasil, mais uma vez, engata a marcha-ré da história, submisso a mentalidade medieval de fazendeiros (que não deixaram um pé de árvore em suas terras, no sul, e sobem o morro brasileiro em busca de novas terras para serem exauridas e erodidas pela monocultura. Somam a esse Brasil medieval os bancos gananciosos que querem mais glebas para suas monoculturas de soja, milho e seu exército de patas de vaca.
Além de novas invasões, gerando destruição da biodiversidade, ameaça aos povos das florestas – índios e caboclos que durante séculos aprenderam a viver em harmonia com o meio ambiente – a poluição por agrotóxicos, a degradação de mananciais (água pura, cada vez mais rara no planeta!).
A SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – condena a aprovação, pelo Congresso Nacional, do relatório que propõe mudanças na legislação ambiental, afirmando que “o Brasil estaria arriscado a sofrer seu mais grave retrocesso ambiental em meio século, com conseqüências críticas e irreversíveis que irão além das fronteiras do país”, segundo carta redigida por pesquisadores ligados ao Programa Biota-Fapesp e publicada na sexta-feira (16/7), na revista “Science” O texto é assinado por Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luciano Verdade e Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp”.
A comunidade cientifica brasileiro, pois, foi deixada de lado quanto a um estudo cientifico pertinente e adequação responsável do Código Florestal que vigora desde a década de cinqüenta. Conforme o site da SBPC: “As novas regras… reduzirão a restauração obrigatória de vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965. Com isso, “as emissões de dióxido de carbono poderão aumentar substancialmente” e, a partir de simples análises da relação espécies-área, é possível prever “a extinção de mais de 100 mil espécies, uma perda massiva que invalidará qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade“.
A reformulação do Código Florestal “deverá diminuir a eficiência dos mecanismos legais de proteção ambiental. Uma das conseqüências mais graves será o impacto na qualidade da água”. De acordo com José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia, de São Carlos (SP), “com o solo mais exposto, haverá um aumento da erosão e do assoreamento de corpos d’água, além da contaminação de rios com fertilizantes e agrotóxicos”.
O Congresso brasileiro é o mais caro do mundo – esperamos que seja pelo menos competente, ouça a opinião de cientistas que amam o Brasil e sabem do que estão falando. Submeter o patrimônio natural e ambiental do Brasil– com graves ameaças a povos indígenas, e ao patrimônio genético do Brasil e da humanidade – é um crime que poderá manchar para sempre a biografia de muitos parlamentares. Ainda há tempo!
(Leia também: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72231 )

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