WIKILEAKS POR ELA MESMA

Julian Assange, fundador da WikiLeaks, está foragido, procurado pela policia, acusado de abuso sexual. Ele é mentor intelectual do site responsável pelo recente vazamento de milhares de documentos secretos dos EUA. São mais de 300 mil relatórios que documentam a guerra e a ocupação do Iraque desde o dia 1 de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2009 – agora à disposição do público. Assange, de origem australiana, diz ser vítima de pressões por conta da divulgação desses documentos em seu site. Nesta sexta-feira, o site foi tirado do ar pelo provedor do serviço, que disse ter sido vítima de um grande ataque cibernético – porém está novamente no ar. Um mandado de prisão internacional contra Assange foi emitido pela Suécia, onde ele é alvo de um inquérito sobre crimes sexuais cometidos supostamente em agosto, durante uma visita a Estocolmo. Veja abaixo, em tradução livre, o que ele e sua organização definem o site WikiLeaks.

“WikiLeaks é uma organização de mídia, sem fins lucrativos. Nossa meta é levar notícias importantes e informação ao público. Nós provemos um modo inovador, seguro e anônimo para fontes ecoarem informação a nossos jornalistas (nossa caixa eletrônica).  Uma de nossas atividades mais importantes é publicar material de fonte original, ao lado de nossas histórias sobre a notícia. Assim os leitores e historiadores, semelhantemente, podem ver a evidência da verdade. Nós somos uma organização jovem que cresceu muito depressa, confiando em uma rede de colaboradores ao redor do globo. Desde 2007, quando a organização foi lançada oficialmente, WikiLeaks trabalhou para informar e publicar informações importantes. Nós também desenvolvemos e adaptamos tecnologias para apoiar estas atividades.

A WikiLeaks sustentou e triunfou contra ataques legais e políticos, com objetivo de silenciar nossa organização de comunicação, nossos jornalistas e nossas fontes anônimas. Os princípios fundamentais, nos quais nosso trabalho é baseado, são a defesa de liberdade de expressão e acesso à publicação, a melhoria dos registros históricos em comum e o apoio dos direitos de todas as pessoas para criar uma nova história. Nós assumimos os princípios da Declaração Universal de Direitos humanos [ONU, 1948]. Em particular, o Artigo 19 inspira o trabalho dos nossos jornalistas e de outros voluntários. Ele declara que todo o mundo tem o direito a liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de opinião, sem interferência e buscar, receber e transmitir informações e idéias por qualquer mídia e além de quaisquer fronteiras. Nós concordamos, e nós buscamos apoiar isto e os outros Artigos daDeclaração.

COMO  WikiLeaks TRABALHA

WikiLeaks combinou tecnologias de segurança  com jornalismo e princípios éticos. Como outros meios da mídia, que administram jornalismo investigativo, nós aceitamos  (mas não solicitamos) fontes anônimas de informação. Outras fontes distintas, nós provemos uma alta segurança  para preservar o anonimato de colaboradores, fortalecendo-a através de meios  criptográficos. Isto provê máxima proteção a nossas fontes. Nós somos destemidos em nossos esforços para adquirir e divulgar a verdade não maquiando a realidade para o público. Quando a informação chega, nosso departamento de análise examina o material, verifica e descreve o assunto em função de seu  significado para a sociedade. Nós publicamos a história da notícia e o material original para habilitar os leitores a analizar a história no contexto original de sua fonte. Nossas narrações sobre elas estão no estilo de apresentação da Wikipedia – par facilitar -, embora as duas organizações não tenham relacionamentoo.  Os leitores fortuitos não podem editar nossos documentos originais.  WikiLeaks está desenvolvendo e está melhorando um procedimento de minimização de danos. Nós não censuramos as notícias, mas de vez em quando nós podemos remover ou podemos postergar a publicação de textos  que identificam detalhes de documentos originais para proteger a vida e  familiares de pessoas inocentes. Nós aceitamos material enviado pessoalmente ou por  e-mail [postal drops] como métodos alternativos, embora nós recomendamos a caixa de drops eletrônica, anônima, como o método preferido de submeter qualquer material. Nós não pedimos material, mas nós temos certeza que o material vai ser analisado, isso foi determinado com clareza, e que a fonte será sempre bem protegida. Recebemos muita informação porém nossos recursos são limitados e pode levar tempo a análise de uma fonte.  Nós também temos uma rede de advogados talentosos ao redor do globo que é pessoalmente engajado aos princípios da WikiLeaks, e que defendem nossa organização. Por quê as mídias (e particularmente o que a Wiki divulga) são importantes? Informando através da publicação a transparência melhora. Essa transparência cria uma sociedade melhor para todos. Denúncias veiculadas ajudam a diminuir a corrupção e fortalece a democracia nas instituições de toda a sociedade, inclusive no governo, corporações e outras organizações. Geramos uma mídia jornalistica saudável, vibrante e inquisitiva, desempenhando um papel vital em busca desses ideais. Denuncias requerem informação. Historicamente, a informação sempre foi preciosa para a vida humana, direitos humanos e economias. Como resultado de avanços técnicos, particularmente a internet e a criptografia – os riscos de carregar informação importante diminuem. Em sua decisão sobre o processo envolvendo os Pentagon Papers [Papéis do Pentágono] a US Supreme Court [Corte Suprema dos EUA] afirmou que “só uma imprensa livre e desenfreada pode expor efetivamente que levam a decepção de governos“. Nós concordamos. Nós acreditamos que não só as pessoas de um país é que pressionam seu próprio governo  para a honestidade e transparência, mas também pessoas de outros países que estão acompanhando aquele governo, através da mídia. Nos anos que antecederam a fundação da WikiLeaks, nós observamos que o mundo está publicando uma mídia cada vez menos independente, fazendo perguntas mais brandas a governos, corporações e outras instituições. Nós acreditamos que isto tinha que mudar! A WikiLeaks gerou um  novo modelo de jornalismo. Isso porque nossa  motivação não é o lucro. Trabalhamos cooperativamente com outras publicaçãos e organizações de mídia ao redor do globo, em vez de seguir o modelo tradicional de competir com outras mídias. Nós não fazemos reserva de mercado da informação que temos; nós tornamos documentos originais disponíveis com os textos das notícias. Os leitores podem verificar a verdade do que nós informamos. Como um serviço online, WikiLeaks relata histórias que são apanhadas freqüentemente através de outras mídias. Nós encorajamos isto. Nós acreditamos que as mídias do mundo deveriam trabalhar junto, o máximo possível, divulgar textos a um grande readership internacional.

Como WikiLeaks verifica suas fontes

Nós avaliamos todas as histórias e testamos sua veracidade. Nós enviamos um documento submetido a um detalhado exame. É real? Que elementos provam que é real? Quem teria o motivo para fingir tal um documento e por quê? Nós usamos técnicas de jornalismo investigativo tradicionais, como também métodos tecnológicos mais avançados. Tipicamente, nós fazemos uma análise forense do documento, determinamos o custo de uma falsificação, meios, motivos, oportunidades, as reivindicações da organização que veiculou a informação, que informa com base em perguntas detalhadas sobre o documento. Nós também podemos buscar, por exemplo,uma verificação externa do documento. Para a liberação do vídeo “Collateral Murder” nós enviamos para um time de jornalistas para o Iraque para entrevistar vítimas e observadores do ataque do helicóptero. Nossos enviados obteveram cópias de registros de hospital, certidões de óbito, declarações de testemunhas oculares e outras evidências, confirmando a verdade da história. Nosso processo de verificação não significa que nunca cometeremos erro – porém nosso método identificou a veracidade total do documento, e o publicamos corretamente. Publicar o material da fonte original, paralelamente à cada uma de nossas histórias, é o modo através do qual mostramos para o público que nossa história é autêntica. Os leitores não têm que confiar apenas em nossas palavras; eles podem ver e concluir sua verdade. Deste modo nós também apoiamos o trabalho de outras organizações de jornalismo, porque eles podem ver e podem usar livremente os documentos originais. Outros jornalistas podem observar um ângulo ou detalhar no documento algo importante que nós não estávamos atentos a ele. Deixando os documentos livremente disponíveis, nós esperamos ampliar a análise e comentários por toda a mídia. O mais importante é que nós queremos que os leitores saibam a verdade e, assim, podem decidir sobre a mesma.

Pessoas atrás da WikiLeaks

WikiLeaks é um projeto da “Sunshine Press“. Ele, provavelmente, ilumina até agora a WikiLeaks, que não é uma frente para qualquer agência de inteligência ou governo apesar do rumor que gera essa sensação.  Este rumor começou já no início da existência de WikiLeaks, possivelmente gerado por essas agências. WikiLeaks é um grupo global, independente, de pessoas com uma longa dedicação em busca de uma imprensa livre, e a crescente transparência da sociedade, que advém dela.  O grupo inclui os jornalistas aprovados, programadores de software, engenheiros de rede, matemáticos e outros. Para aferir a verdade de nossas declarações , basta olhar para as evidências. Por definição, agências de inteligência querem acumular informação. Através do contraste, a WikiLeaks mostrou que quer fazer o oposto. Nosso trabalho em busca de pistas e registros vêm justamente no sentido de expressar a verdade para o mundo. O grande presidente americano Thomas Jefferson observou, certa vez, que o preço de liberdade é a eterna vigilância. Nós creditamos a mídia jornalistica um papel fundamental, nessa vigilância.

O anonimato para fontes

Até onde nós podemos concluir, WikiLeaks nunca revelou quaisquer de suas fontes. Nós não podemos fornecer  detalhes sobre a segurança de nossa organização de mídia, ou a “postal drops” anônima de colaboradores, porque  isso ajudaria os que gostariam de decifrar nossas fontes. O que nós podemos dizer é que operamos vários servidores por jurisdições internacionais múltiplas – sem arquivos de origem. Conseqüentemente esses remetentes não podem ser atingidos. O anonimato tem início, na rede de WikiLeaks, antes do envio da informação para nossos servidores da web. Porém, nós também fornecemos instruções de como enviar o material para nós, através de lan houses, áreas de acesso popular, sem fio. Mesmo que a kiLeaks seja infiltrada por uma agência externa, ainda assim não poderiam localizar as fontes. Fontes de significado político ou do interesse da inteligência podem seus computadores infectados, ou monitorados e em suas casas podem instalar câmeras de vídeo escondidas. Por isso sugerimos que quando uma fonte for enviar para a WikiLeaks algo muito importante devem faze-lo longe de casa ou do local de trabalho. Vários governos bloqueiam o acesso a qualquer endereço com WikiLeaks no nome. A WikiLeaks tem muitos domínios de cobertura, como https://destiny.mooo.com, que não tem a organização no nome. É possível nos escrever e solicitar outros endereços de domínio. Mas, por favor, tenha certeza que o certificado criptográfico diz wikileaks.org.

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